Temporada 1 · Episódio 4
Episódio 4
O que August Ward soube
fazer, naquela cadeira da lareira, foi o pouco que um homem de talhão sabe
quando o ouro não serve: apertar acima da picada, manter a moça acordada, e não
perder o pulso de vista. O resfriado, porém, já não era o pigarro da chuva do
outro dia. Era um calor errado no peito, uma pontada quando tossia, o ar
entrando curto e saindo mais curto ainda, como se o pulmão tivesse virado pano
molhado. Anny olhava para ele e para o braço, e os olhos cinza iam e vinham,
grandes demais, como se o mundo tivesse duas dores e ela não soubesse qual
nomear primeiro.
Ele não prometeu a
manhã porque a manhã ainda estava longe, e o que tinha na frente era um pulso
inchando a olho nu e um peito que já não obedecia. Apertou o lenço acima dos
dois furos, o jeito antigo de quem já viu cobra em talhão, e a ponta do tecido
ficou vermelha depressa demais para o tamanho da ferida. Anny tremia na
cadeira, o vestido marrom ainda com lama da pilha, os cachos colados na testa,
e tentava dizer que a lenha, que o cesto, que o senhor estava no fogo, e as
frases vinham aos pedaços, os três pontos dela agora misturados com dor.
— Quieta. — Ele
pigarreou e o pigarro veio com um gosto de ferrugem que ele escondeu no ombro
do sobretudo. — A senhora não fecha o olho. Eu vou à médica. É perto.
A casa não tinha
cavalo. O travessão no pátio continuava sendo um animal de ar, e a carroça, com
os varais no chão, era o que restava para três milhas. August passou pelo
retrato sem olhar, pela Remington com a folha virada, pela segunda porta, e só
no alpendre se permitiu um segundo de tosse verdadeira, o tipo que curva um
homem. Depois pôs Anny no banco como se pusesse um copo cheio, o pulso dela
para cima, o xale xadrez por cima do vestido, e puxou os varais com o peito já
ruindo por dentro. Cada passo na lama pedia um ar que o pulmão não queria dar.
A tosse subia, longa, e ele parava o eixo um segundo, a testa no couro, o mundo
girando, depois seguia, porque parar de vez era deixar a moça no banco com o
novembro e com o que a cascavel tinha posto nela.
Anny, no banco, via o
céu baixar. O antebraço já não cabia direito na manga. Dizia o nome dele, dizia
chá, dizia uma vez Remington, como quem pede um copo d’água a uma peça de
ferro, e August respondia só com o puxar, o sobretudo aberto, a camisa molhando
de chuva nova e de suor de febre. A chuva de novembro começou no meio do
caminho, fina primeiro, depois grossa, a mesma família da chuva que o tinha
deixado assim no dia da tora demais. Molhou o vestido, os cachos, as costas
dele. Quando a placa pequena apareceu na casa branca de tábuas, A. KEENE, M.D.,
August já não distinguia bem se o tremor era frio ou o peito pedindo cama.
A doutora Agnes Keene
tinha uns quarenta anos, o cabelo preso com uma severidade de quem não pede
licença ao século para exercer o ofício, as mangas arregaçadas, o avental que
ainda cheirava a ácido carbólico. Abriu a porta antes que ele batesse direito,
viu a moça, viu o homem, e puxou os dois para dentro com a autoridade de quem
já tinha perdido gente demais para perder tempo com boas tardes. O consultório
era um cômodo claro demais para novembro, a mesa de madeira clara, o joguete de
bisturis, um fogareiro, a cama estreita junto à janela. O enfermeiro, um rapaz
alto de orelhas vermelhas chamado Ned Barrow, segurou Anny enquanto a doutora
cortava a manga da lã com uma tesoura sem pedir desculpa ao vestido.
O pulso estava feio.
Dois furos pretos no centro de um inchaço que já subia o antebraço, a pele
tensa e quente, uma aurora roxa se abrindo sob a superfície como se a carne
tivesse aprendido a cor do outono. Anny gemia quando a doutora apalpava, os
cachos contra a fronha, e dizia, procurando o gelo da fala:
— Não… não aperta… o
senhor Ward… ele tossiu… no caminho… tinha cor…
A doutora olhou então o
homem, de verdade. August estava de pé por teimosia, as duas mãos no encosto da
cadeira, o sobretudo pingando no soalho, a boca entreaberta para achar ar. A
tosse veio, longa, e no lenço ficou aquele vermelho diluído que os médicos do
peito conhecem sem precisar de livro. Dra. Keene chegou o ouvido ao tórax dele
por cima da camisa molhada, pediu que respirasse, e o que ouviu não era só
resfriado de cerca. Era o ronco fundo, o lado direito mais preguiçoso que o
esquerdo, o ar que não descia até o fim.
— O senhor está com o
pulmão molhado por dentro, Ward. Isso não é chuva na roupa. Isso é pneumonia, e
pneumonia grave. Febre, pontada, esse sangue claro no lenço. Sente antes que
caia em cima da moça.
— A moça primeiro —
disse ele, e a voz saiu grossa, arranhada, um homem falando por um cano
estreito.
Ela não discutiu a
ordem. Limpou os furos, imobilizou o braço, pôs compressas, mandou Ned buscar
água quente e um copo para a moça. Anny bebeu um gole, vomitou o gole, e a
doutora apertou os lábios como quem já viu o começo de uma conta que o relógio
cobra caro.
— Cascavel. Timber,
pelo que o senhor descreveu, o chocalho, o oco da pilha, novembro teimoso. No
pulso a coisa corre mais depressa do que no pé, porque o sangue ali não
descansa. A dor já veio, o inchaço já veio, e nas próximas horas o braço vai
tentar fechar. Náusea, febre, a boca com gosto de metal, às vezes o sangue que
não quer parar nas gengivas. O veneno de cascavel, Ward, não mata em dez
minutos como o povo da estrada gosta de contar para assustar criança. Também
não espera o jantar de amanhã com educação. O perigo feio, o que mata de
verdade, costuma apertar entre seis e doze horas se a picada é desta, no braço,
numa moça miúda. Se o inchaço passar do cotovelo e chegar ao peito, se ela
começar a sangrar da boca ou a perder o fôlego, o corpo deixa de responder
mesmo que ainda esteja quente. Eu não tenho soro aqui. Nesta prateleira tenho
laudano, compressa, o que serve para dor e o que não serve para cascavel. Em
Chippewa Falls tem. O hospital da cidade guarda umas ampolas do soro novo, o
que mandam de Chicago, caro e raro, e o doutor Pell me deve um favor. São umas
onze milhas. Em tempo seco, a cavalo, três horas para lá, três para cá. Com
esta tempestade, a noite. O senhor tem a noite, talvez até o primeiro cinza.
Depois disso eu assino o atestado com a mesma pena com que assino a receita.
August ouviu onze
milhas como se ouvisse o peso do saco. Onze para lá, onze para cá, seis horas
se o céu ajudasse, a noite inteira se não ajudasse, a chuva, o peito, e Anny
Grace na cama estreita com o braço que já não parecia o dela. A doutora não
embeleza. Ele agradeceu isso sem palavra, porque a verdade feia ainda era um
horário, e horário era a única moeda que ele ainda sabia contar.
— Preciso de um cavalo.
— O meu está coxo. O do
Ned não. Ned!
O enfermeiro já estava
no umbral, o sobretudo na mão, e saiu com August para o alpendre sem que a
doutora precisasse explicar. A chuva batia no telhado como dedo de gente
insistente. No pátio, um alazão escuro, não o baio, outro animal, mais nervoso,
já selado para recados da casa. August pôs a mão no pescoço do cavalo e a
tontura veio, um recuo do chão, e ele segurou a rédea para não ir ao encontro
da lama. Tosiu outra vez, virou o rosto, e o lenço, quando voltou ao bolso, já
não estava limpo.
Ned Barrow fechou a
porta atrás de si, para o consultório não ouvir, e falou baixo, perto demais da
orelha molhada:
— Ei. Eu conheço um
homem prestes a morrer quando vejo. A moça tem a cascavel, está certo. O senhor
tem o peito, e o peito nesta chuva não perdoa. Se montar nesse bicho agora,
pode ser que a ampola volte e o cavaleiro não. A doutora pode mandar outro. Eu
vou, se for preciso. O senhor está quente demais para novembro.
August olhou a fresta
da janela, a cama, os cachos na fronha, a doutora inclinada sobre o braço. Não
quis que Anny ouvisse. Não quis que a Keene ouvisse. A frase saiu para o
enfermeiro e para a chuva, no idioma dele, curto, sem sermão de pastor:
— Já perdi um horário,
rapaz. Estava numa vila, seco, fechando trato, enquanto a minha casa queimava.
Desta vez eu saio. O senhor fica com ela. O cavalo eu trago, ou não trago. Mas
eu saio.
Ned segurou o olhar um
segundo, cuspiu de lado, e soltou a rédea.
— Então não caia. O
Pell pede o nome da Keene. A ampola vai em gelo, se ainda houver gelo. E se o
senhor vomitar sangue no caminho, vira o animal. Ouvido?
August não prometeu.
Montou. O peito protestou como madeira podre, uma pontada tão nítida que ele
fechou os olhos um instante e viu, por trás da pálpebra, o retrato da sala, a
boca que não pedia, o alpendre preto de dois outonos. Abriu os olhos. O alazão
partiu na lama em direção a Chippewa Falls, e a casa branca ficou para trás com
a única coisa que ele ainda sabia não perder.
Enquanto a estrada
engolia o cavalo, Anny Grace esquentava demais na cama da doutora. O inchaço
passou do pulso para o meio do antebraço, uma tensão brilhante, a pele tão
esticada que a lamparina se via nela. A Keene media de hora em hora com uma
fita, anotava num caderno, e pedia a Anny que dissesse o nome, o dia, quem a
tinha trazido. Anny dizia August, às vezes Clara, às vezes Briggs, os três
nomes misturados no mesmo calor, e a doutora apertava o queixo e não corrigia o
que não era hora de corrigir. Ned punha compressas, tirava compressas, e olhava
a janela como se a janela pudesse devolver um homem a cavalo.
— Ele… volta… —
murmurou Anny, e os três pontos dela agora vinham com febre. — Ele não fica… na
vila… eu sei… ele disse…
— Sossegue o braço,
moça. O senhor Ward foi buscar o que eu não tenho nesta prateleira.
A chuva apertou sobre o
caminho de Chippewa. August encurtou o corpo contra o pescoço do alazão, a água
descendo pela gola, pelo peito doente, pelas botas. A tosse vinha em vagas, e
cada vaga apagava um pedaço da estrada. Às vezes via o pinhal; às vezes via só
uma mancha escura que podia ser árvore ou o fim. O relógio no bolso batia
contra a costela, inútil, porque o horário agora era o inchaço do pulso dela e
o ar que não descia no peito dele. Falou baixo com o animal, sem nome bonito, o
mesmo tom que usava com o baio quando o baio ainda era da casa, e o alazão,
nervoso, mesmo assim andou. Um trovão rebentou perto demais, o cavalo empinou,
e August quase foi ao chão. Segurou. A pontada no lado direito ficou acesa, uma
brasa sob a camisa, e ele riu outra vez aquele riso sem juízo, porque o corpo
pedia a cama da Keene e a cabeça só via o vidro que ainda não existia nas mãos.
A tontura voltou na
primeira ponte, a madeira lisa de lama, o rio embaixo mais alto do que o
novembro pedia. O animal escorregou um casco, a barriga bateu no corrimão, e
August se pendurou na crina com um som feio, ferrugem e ar. Parou o bicho no
outro lado, vomitou um fio escuro na água, limpou a boca no sobretudo e partiu
de novo, porque parar era a vila, o saco, o trato, a fumaça que não era toco.
Na casa da Keene, o
inchaço achou o cotovelo. Anny chorou sem lágrima, um choro de dente, e pediu
água que não ficou no estômago. A doutora ouviu o peito dela, o coração rápido
demais, e disse a Ned, baixo, que se o Ward não aparecesse antes das duas da
madrugada ela ia perder o pulso da moça do mesmo jeito que se perde um balde no
poço: de repente, e sem discurso. Anny, nesse meio, falou da Remington, da
folha branca, de uma mãe que costurava no correio, e a Keene assentia como se
aquelas coisas fossem pulso também, um jeito de não deixar a moça ir embora por
dentro enquanto o braço tentava ir embora por fora.
Um pinheiro caído
fechou-lhe metade do caminho, fruto da ventania, o tronco atravessado na lama
com os galhos ainda vivos de água. August desceu, o joelho no barro, o peito em
fogo, e puxou até as mãos abrirem. O alazão recuava, o branco do olho visível,
relincho curto, e ele falou com o animal outra vez, a palma no pescoço, o
ofício antigo de quem negocia com bicho quando o ouro não entra na conversa.
Quando o vão deu, montou e o mundo deu um giro, a estrada em cima, a chuva
embaixo, e ele se segurou na sela até o giro passar. Riu, um riso curto de quem
já não tem juízo, e tossiu o riso embora. A pontada no lado direito ficou. Não
passou, e ele fez questão de não estar pior, o mesmo teimoso da manhã da pilha,
só que agora a teimosia ainda tinha a cidade pela frente e um vidro que ainda
não estava no paletó.
Chippewa Falls apareceu
como um colar de lamparinas molhadas, a cidade mais perto do que a granja e
mesmo assim do outro lado da noite. O hospital cheirava a carvão e a gente
dormindo mal. Um servente irritado quis mandá-lo para a fila da manhã; August disse
o nome da Keene, o nome da cascavel, o nome da moça, e o servente, vendo o
lenço, foi acordar o doutor Pell. Pell saiu de um cômodo dos fundos com o
colete aberto, ouviu, viu o peito de August, e quis deitá-lo também, a mesma
frase da Keene, pneumonia, cama, o pulmão que não aguenta outra milha.
— A ampola — disse
August, e não se sentou.
Pell xingou baixo,
abriu um armário de vidro, tirou um estojo pequeno demais para o preço que a
Keene tinha dito, embrulhou a ampola em pano úmido e em gelo de porão, o vidro
frio contra a palma de August como uma moeda que não se gasta. Quis que ele assinasse
um papel. August assinou com uma mão que não parecia a dele. Saiu antes que
Pell terminasse a frase sobre voltar e deitar, sobre o peito, sobre o fato de
um homem daquela idade, naquela chuva, com aquele ronco, talvez não cruzar a
ponte de volta.
A volta foi pior,
porque a chuva já tinha feito da estrada um rio raso e o pulmão já tinha feito
do homem um peso. O alazão ia cansado, ele ia mais. A ampola batia no paletó a
cada trote, um vidro contra uma costela doente, e August punha a mão ali como punha
a mão no pulso dela na cadeira da lareira, o mesmo ofício de não perder de
vista o que ainda podia ser salvo. A ponte, na volta, estava pior. A água
lambeu o casco. Ele desceu, puxou o animal pela rédea, a água fria até o
joelho, o peito gritando, e no meio da madeira lisa a tontura voltou tão
inteira que ele ficou um segundo de quatro, a testa no corrimão, o gosto de
ferrugem outra vez. Levantou-se porque o gelo no paletó derretia, e o horário,
aquele horário que a Keene tinha desenhado entre seis e doze horas, não
esperava homem de quatro.
Um carroceiro, mais
adiante, veio no sentido contrário com a lanterna baixa e gritou que o atoleiro
da curva estava ruim, que era melhor esperar o cinza. August passou por ele sem
responder, porque esperar o cinza era a frase da doutora de outro jeito, o
atestado, a pena, a receita que já não servia. O carroceiro xingou às costas,
um homem molhado xingando outro, e a chuva comeu o xingamento. Parou uma vez
sob um celeiro aberto, não para descansar, para não cair. Nesse minuto viu, ou
julgou ver, o retrato da sala, a boca que não pedia, o cobre da tarde em que
ele tinha escolhido a vila. Disse, sem plateia, a frase que o enfermeiro já
tinha ouvido de outro jeito:
— Desta vez eu chego.
Enquanto isso Anny
piorava do jeito que a doutora tinha desenhado. O braço estava irreconhecível,
uma coisa de outra pessoa pregada nela, o roxo subindo o úmero, a pele tão
quente que Ned trocava a compressa e a compressa já vinha quente. Falava com a
mãe costureira, pedia o caderno, pedia que não apagassem a lamparina, pedia o
senhor Ward com a voz miúda de quem ainda acha que um homem no alpendre resolve
o mundo. A Keene olhou as gengivas, viu um fio, limpou, e olhou o relógio de
bolso como se o relógio pudesse ser xingado. Eram quase as três. O cinza ainda
não tinha vindo. O inchaço não tinha chegado ao peito, mas estava no caminho, a
conta aberta, o horário fino.
— Se ele não vier
agora… — começou Ned.
— Ele vem ou não vem —
cortou a Keene, e a voz dela também já não era de boa tarde. — A senhora segura
a mão direita. A esquerda eu quero quieta.
Anny apertou a mão de
Ned com uma força que o rapaz não esperava de pulso tão miúdo, e os olhos
cinza, um instante, acharam o teto e acharam sentido.
— O senhor… não perde…
o horário… — disse, e depois o sentido foi embora outra vez, a febre puxando, o
braço pesado demais para uma moça que ainda de manhã ia buscar um pedaço de
lenha para um homem resfriado.
O alazão entrou no
pátio da casa branca quando a chuva já amainava para um miúdo insistente, o
tipo que não desiste. August não desceu: escorregou. Ficou de pé porque a
parede do alpendre quis. A ampola, no interior do paletó, ainda estava inteira,
o gelo quase água, o vidro frio ainda. Empurrou a porta com o ombro e o
consultório recebeu um homem que já não parecia o dono do saco, só um sobretudo
molhado e um peito roncando o ofício até o fim.
A doutora virou-se. Ned
segurou Anny pelos ombros. August atravessou o cômodo como se o soalho
estivesse longe, pôs o vidro na mesa, e a Keene já tinha a seringa na mão, o
avental, a voz de ofício:
— Corta o pano. É este.
Aguenta ela.
O soro entrou no braço
são, lento, a doutora contando baixo, Anny gemendo um nome que podia ser August
ou podia ser só ar. O inchaço não baixou milagre, a pele continuou tensa, o
roxo não pediu desculpa, mas o peito da moça, depois de um minuto que durou
demais, achou um ritmo menos desesperado. Dra. Keene sentiu o pulso, olhou as
gengivas, olhou os furos, esperou mais um pouco, o relógio de bolso aberto na
palma, e só então falou para o homem que ainda estava de pé por milagre e por
teimosia:
— O soro deve
funcionar. O senhor conseguiu trazer a tempo.
August Ward ouviu a
frase até o meio. O resto veio abafado, como se a casa tivesse enchido de lã. A
lamparina alongou-se, a cama alongou-se, os cachos de Anny viraram uma mancha
clara, e o chão, que desde a ponte o andava chamando, chegou. Ele não viu Ned.
Não viu a Keene. Não viu o vidro vazio. O peito fez um último ofício de tosse e
o homem foi ao encontro da madeira, pesado, molhado, e a noite, enfim, o teve.