Sobre o mar: encontro e saudade. O que acontece com o sujeito quando ele encontra o mar?
O azul da cor do mar
Em alto mar, me fazia lembrar
Esplendor, majestade:
Água do mar como divindade.
O som das ondas
Parecia me convocar:
Venham, venham todos.
Sentir a brisa
Que expande o meu horizonte
Relíquias, passado, memória
Corais, encontro, história
A água do mar purifica, liberta
Expande e aflora.
Um desejo de retorno
Poesia aberta no campo semântico
Da palavra que enamora
Sentindo a areia, o cheiro
Contemplando os aromas
Me embriagando nas ressacas
Pulando ondinhas de acalanto.
Ah, que saudade do mar
Experiência única, cordial e vibrante
O mar é como casa
Terreno fértil de esperança
Ao adentrar sua morada
Me vi despido da desesperança
Sentei-me ao chão
Cobri-me com as partículas eternas
Em profusão
Desejei que a vida
Por um momento se expandisse em comunhão
Fazendo daquele momento
Uma eterna descoberta
De linguagem e ação.
O mar passou por mim
Penetrou-me por inteiro
Deixei a corrente
Esvaziar o meu peito.
Laços, cadarços
Já não eram endereço.
Experimentava uma humanidade quase existencial
A primeira vez que me detinha
Em um encontro carnal
Por um momento senti
A espiritualidade da criação
O mar é uma experiência de ressignificação.
Ah, que saudade
Quando farei novamente
Essa experiência da totalidade
De deixar-me inebriar-me
Pelo gozo da felicidade
Unindo palavra
aconchego e irmandade
Em uma rede
Ampla de possibilidades.
Oh, mar
Produtor de segredos
E continuidades
Agradeço por renovar
As nossas profundidades
Dá-me um pouco
De tua beleza
Destino e sagacidade
Juventude que teima
Em experimentar a novidade.
O mar foi um encontro
Que emanou diversas saudades
Mas um dia nos encontraremos
Em outras realidades.